Sopa de plástico no lixão do pacífico
Entre o litoral da Califórnia e o Havaí, uma área enorme ganhou um triste apelido: o lixão do pacífico. Levadas pela corrente marítima, toneladas e toneladas de sujeira, produzidas pelo homem, se acumulam no oceano, com uma extensão duas vezes superior ao tamanho dos Estados Unidos, ou uma área do tamanho dos estados de SP, RJ, MG e GO juntas.
imagem editadaCerca de um quinto dos resíduos provêm de descargas de navíos e plataformas petrolíferas. O restante vem dos continentes próximos, com auxílio do homem e sua educação ambiental. Produzimos muito plástico, e não sabamos como reutilizá-lo. É mais barato produzir novamente, do que recolher e reciclar, por isso que a todo instante cresce esse “monstro marítimo†que engole praias no meio do oceano.
A ONU alega que milhões de aves e mamíferos marinhos são extintos anualmente pela ação deste lixo. Os animais, por achar que tudo jogado ao oceano é alimento, acabam tentando se alimentar deste plástico, causando sérios danos à natureza. Algumas anomalias ainda são encontradas, como a Tartaruga gigante, que cresceu entre um anel de plástico em seu casco. Os animais precisam de adaptar a esse ambiente poluido, e com isso geram diversos transtornos na natureza.

Nós, seres humanos, também somos prejudicados, por estarmos no topo da cadeia alimentar. Obviamente, se estes animais, que consumimos em nossas mesas, se alimentam de plástico, logo também estaremos no alimentando dessas impurezas.
Charles Moore, um oceanógrafo americano que descobriu o lixão do pacífico, em uma de suas navegações entre o Havaí e a Califórnia, optou por um novo caminho, onde descobriu esta sopa de plástico. “Foi pertubador… dia a pós dia não vimos uma única área que não houvesse lixo, e tão distante do continente†diz o capitão.
Em sua pesquisa, pode observar mariscos fazendo do plástico sua moradia, assim como álgas marinhas emboladas em nylon. Com as análises, o capitão pode constatar que 27% do lixo do pacífico se resume a sacolas plásticas de supermercado.
A maior parte desse lixo vem do continente. Seja através de rios poluídos, que desembocam no oceâno, ou objetos jogados nas praias, que viajam oceano a dentro, ou mesmo pelas tempestades, que jogam o lixo das ruas nas galerias pluviais das cidades, chegando até o mar.
Este lixo, devido as correntes marinhas, se juntam com outros lixos das embarcações e formam uma sopa de plástico. Muitas vezes, devido as tempestades, esse lixo é jogado para fora da sopa, e atinge praias desertas no meio do oceâno.
Uma delas, Kamilo Beach, próximo ao Havaí, é atingida por esse lixo desviado, e contém plástico de diversos locais do continente asiático. Entre pneus, roda de ferro, frasco de shampoo, tanques de gasolina, sacos de plástico, redes de pesca, entre outros, a ilha vai sumindo em meio a tanto plástico.
Ambientalistas ainda tentam recolher parte deste lixo, fazendo medições e anotações que possam comprovar a origem desses dejetos, mas o trabalho é pouco, para a quantidade de lixo que chega a todo instante.
Numa economia burra, as empresas produtoras de sacola gastam menos produzindo novas sacolas plásticas do que reciclando o plástico já existente. Uma pesquisa nos EUA mostra que menos de 1% dos sacos é recilado, pois é mais caro reciclar do que produzir novos. Jared Blumenfeld, diretor do Departamento do Meio Ambiente em São Fransisco, diz que processar e reciclar uma tonelada de sacos pláticos custa em média 4.000 euros. Enquanto a mesma quantidade de sacos produzidas é vendido a 320 euros.
A concientização não deve partir somente destas empresas, mas do governo local, no intuito de tornar os hábitos da sociedade mais saudável e limpo.